Mostrando postagens com marcador família. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador família. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Desconstruindo argumentos pró-aborto - resumo

1º Mito: são realizados milhões de abortos e muitas mulheres morrem neles.

Mentira estratégica deliberada, confessada por um de seus autores, o médico Bernard Nathanson;
- Estimaram a morte de 200.000 mulheres por ano em todo o Brasil. Todavia, o número de óbitos de mulheres em idade fértil no mesmo período, considerando todas as causas de morte, não passa de 67.000. Estimativa totalmente furada.
- São realizados em torno de 1.000.000 de abortos no Brasil. Nada mais falso. Este número é uma estimativa do número de abortos naturais, não provocados.
- No Brasil, nas estatísticas do DATASUS, em 2011 houve 135 mortes de mulheres após realizarem aborto. Descontando os casos de gravidez ectópica, que não é objeto da legislação para legalização, esse número cai para 9.

Fonte: http://revistavilanova.com/mentiras-sobre-o-aborto-parte-01/

2º Mito: a idéia de que há vida humana desde a fecundação/concepção é um velho dogma religioso/filosófico

- a ideia de que pode-se abortar fetos antes de um determinado período é muito antiga, que só foi abandonada a partir da percepção científica de que depois da concepção se forma um indivíduo com carga genética independente.
- "A vida humana não é um conceito biológico, mas um conceito político…"Os nazistas e comunistas sem dúvida concordariam com o conceito de vida do Prof. Safatle. 

Fonte: http://revistavilanova.com/mentiras-sobre-o-aborto-parte-02/

3º Mito: o objetivo é a legalização do aborto até a 12ª semana de gestação. 

se a lei permitisse o assassinato do bebê de nove meses tirado vivo da barriga da mãe, enquadrando isto dentro das hipóteses de aborto legal, o leitor concordaria?
- no momento em que o aborto é legalizado, tem início todo um movimento de produção normativa jurisprudencial e infralegal no sentido de ampliar mais e mais as suas hipóteses até chegar-se ao infanticídio puro e simples!
- o caso que gerou jurisprudência para liberação do aborto nos EUA foi baseado na alegação falsa de que a mulher teria sofrido estupro (processo Roe v. Wade)
- na prática, a dilatação do conceito de "saúde da mulher" permitiu a legalização do aborto por razões inteiramente subjetivas até o 9º mês de gravidez.
- como matar a criança depois do parto seria homicídio, para gravidez de terceiro trimestre, o "aborto parcial" é uma técnica que consiste em induzir o parto, fazendo-se uma perfuração no crânio antes do nascimento total. Assim, juridicamente falando ocorreu um aborto e não um homicídio.
- o nascimento de crianças sobreviventes dos abortos é um outro problema. Se permitiu que lhes fosse negados água e alimento, morrendo de desnutrição. Um dos grandes defensores destas práticas foi Barack Obama.
a propaganda pró-aborto coloca como ícones casos de mulheres violentadas ou com fetos inviáveis, mas isto é pura retórica. O objetivo é a legalização do aborto sob qualquer pretexto e a qualquer tempo.
- Peter Singer é um defensor do infanticídio e da eutanásia

Fonte: http://revistavilanova.com/mentiras-sobre-o-aborto-parte-03/

4º mito: onde houve a legalização do aborto, seu número diminuiu e ele tornou-se mais seguro em razão da descriminalização.

- não há dados disponíveis que respaldem a afirmação
- caso do Uruguai: estimavam-se 33.000 abortos antes da legalização (estimativa furada, como a de 200.000 no Brasil). Depois da legalização, registraram 4.000. Uma estimativa mais séria contava entre 3.200 a 5.200.
- a tendência nos países onde o aborto é legalizado é a ocultação dos casos. Isso é estimulado pois a subnotificação dos procedimentos permite pagar menos impostos pelas clínicas.
um detalhado estudo global do aborto concluiu que as taxas de aborto são similares em países onde ele é legal e naqueles onde não o é.
- não há nenhum estudo amplo que demonstre a falácia abortista sobre a redução do número de abortos no caso de legalização.
- o movimento pró-aborto mudou sua argumentação dizendo que a criminalização não diminui em nada o número de abortos.
- na verdade, há inúmeros casos de países em que a legalização aumentou o número de abortos. Passados vários anos, este número se estabiliza ou mesmo cai um pouco, porém jamais aos níveis pré-legalização.

Fonte: http://revistavilanova.com/mentiras-sobre-o-aborto-parte-04/

5º Mito: O debate sobre a descriminalização do aborto necessariamente está ligado ao fato de que várias gestações resultam de estupro ou geram risco de vida para a mãe.

- Trata-se de usar as exceções para impor nova regra, deslegitimando a antiga.

6º mito: é absurdo não se aceitar a palavra da mulher quando ela afirma que a gravidez foi resultante de estupro, o que sem dúvida alguma demonstra uma discriminação contra ela.

não se exige da mulher nada além daquilo que é exigido de qualquer pessoa

7º mito: num estado laico, as normas de origem religiosa não devem interferir no Direito, como é o caso da proscrição do aborto.

Se o aborto deve ser descriminalizado porque sua proibição está contida em norma religiosa, também o deve ser o homicídio, o qual é proibido pelo clássico mandamento não matarás.

8º Mito: a defesa do aborto é por uma causa e não por interesses.

- a indústria do aborto virou um fabuloso negócio.
A indústria abortista apostou muito alto na venda de embriões para pesquisas de células-tronco, cujas fontes são embriões clonados, embriões in vitro não utilizados, culturas mantidas em laboratório e fetos decorrentes de abortos.

9º mito: o feto nada sente no procedimento abortivo no início da gestação.

- Falso! O documentário The Silent Scream[17] (do Dr. Bernard Nathason) mostra (em imagens de ultrassom) a reação desesperada de um feto durante um aborto. Basta ver o documentário. Sem palavras.

10º mito: é falso dizer que a legalização do aborto levará a condutas eugenistas ou discriminatórias.

- Nesse exato momento a China e a Índia contam com uma população feminina declinante (ao menos em termos relativos). Qual o motivo? Os abortos (legais) praticados contra meninas (incluso infanticídios).
Qualquer um que tenha estudado um pouco de história sabe muito bem que em toda cultura onde a matança de neonatos era permitida, as vítimas preferenciais eram meninas e deficientes.

11º mito – Muitos abortos acontecem independentemente da proibição legal, mas quem os pratica está sob risco.

- Muitos homicídios e roubos também acontecem independentemente da proibição legal e muitas vezes quem os pratica o faz em situação de risco.

12º mito – É um assunto que diz respeito somente à mulher! O corpo é dela. Trata-se de direito de autonomia sobre o próprio corpo.

-O direito ao próprio corpo não é absoluto. Se alguém está se afogando na tua frente e tu és um bom nadador, não adianta usar o discurso de que você é dono de seu corpo e não pode ser obrigado a pular na água para socorrer a outra pessoa. Caso faça isto, incorrerá no crime de omissão de socorro, previsto no Código Penal.
-Se a interferência sobre o feto é interferência no corpo da mulher, a recíproca é verdadeira. 

13º mito – Se não quer fazer aborto, não faça! Se acha que o aborto é errado, use sua liberdade de expressão em ser contra, mas não proíba ninguém de fazê-lo.

- estudantes de medicina estão sendo obrigados a fazer abortos, sendo cada vez menos aceito o argumento de objeção de consciência
- a liberdade de expressão do movimento pró-vida tem sido gradativamente cerceada

14º mito – Restringir o aborto é uma tentativa de controlar a vida sexual da mulher.

Não. Da mesma forma que o dever de pensão alimentícia não é uma tentativa de controlar a vida sexual do homem e sim de deixar claro que vida sexual é algo para ser encarado com responsabilidade, podendo ter suas consequências das quais uma pessoa com um mínimo de honra não deve fugir.

15 º mito – Punir não adianta. A melhor estratégia é a prevenção.

Se punição não resolve, por gentileza, as feministas (ardorosas defensoras do aborto) deem o exemplo e peçam que os estupradores presos neste país sejam imediatamente libertados, já que punir não adianta.

Quanto à prevenção, ela não é antagônica à punição. 

16º mito – Não é possível determinar quando começa a vida, daí o absurdo da proibição do aborto. Tanto é que o Código Civil brasileiro determina que a personalidade legal começa no nascimento, ou seja, o feto não é pessoa.

diante do risco, a conduta é de cautela e não de ação
- embora o Código Civil de fato não atribua o status de pessoa ao feto, o Pacto de San Jose da Costa Rica o faz, tendo o Brasil ratificado este tratado há mais 20 anos.

17º mito – Se a proteção ao feto deve chegar a tal ponto, então um simples arranhão no braço – que mutila milhões de células – deve ser considerado um genocídio.

- Células de um braço não são um organismo por si só, mas sim a parte integrante de – este sim – um organismo completo que é o ser humano.

18º mito – O feto depende do organismo da mãe para viver. Então ele não é um ser vivo autônomo e tampouco – em seus primeiros estágios – tem vida cerebral. Isto torna válido o aborto no início da gestação.

- Ao nascer o bebê também depende do organismo da mãe para ser amamentado. Inúmeras pessoas dependem de máquinas para viver. Qualquer um que use um marca-passo está sendo mantido por algo que veio de fora.

19º mito – O aborto ocorre naturalmente. Qual o problema em legalizá-lo?


- Muita gente (a maioria das pessoas, felizmente) morre naturalmente de velhice e nem por isso legalizamos o homicídio.

20º mito – A intervenção dos religiosos é mera hipocrisia, visto que eles nada fazem em prol das crianças sem família.

Os lares infantis, orfanatos, agências de adoção, escolas, fundações de amparo a menores, todos vinculados a instituições religiosas, são milhares e milhares no mundo inteiro! Seguem alguns exemplos básicos: Visão Mundial, Fundo Cristão para Crianças, as ordens católicas especializadas no atendimento a crianças e jovens (como os salesianos), as diversas organizações judaicas de ensino, Fundação Alan Kardec (espírita), etc. Se acrescentarmos as instituições islâmicas, esse número cresce ainda mais (no mundo muçulmano, a caridade é essencialmente religiosa, havendo pouco espaço para a filantropia laica). Então de onde se tirou essa ideia que as instituições religiosas nada fazem pelas crianças? Como alguém tem coragem de repetir um argumento tão falso quanto difamatório?[43]


terça-feira, 23 de julho de 2013

Questões na JMJ: será inútil rezar e ver o Papa?

"Se os vícios humanos como ganância ou inveja são sistematicamente cultivados, o resultado inevitável é nada mais do que o colapso da inteligência. Um homem levado pela ganância ou pela inveja perde a capacidade de ver as coisas como realmente são, de ver as coisas em sua completude e circularidade, e o seu sucesso se torna fracasso. Se toda a sociedade for infectada por esses vícios, ela pode realmente conquistar coisas espantosas, mas será cada vez mais incapaz de resolver os mais elementares problemas da existência." E.F. Schumacher, Small is Beautiful

Um dos vários "-ismos" que nos corrompem nos dias de hoje é o utilitarismo, associado normalmente ao materialismo, consumismo e hedonismo. Uma coisa só serve se for útil, e ser útil é trazer, em última instância, riqueza, dinheiro, prazer. Até mesmo propósitos tão elevados como educação, saúde, são avaliados sob o prisma do "curtir a vida". Afinal, eu só estudo para arrumar um bom emprego e ter um salário melhor, comprar coisas boas e preciso de saúde para aproveitar o momento.

Daí, um evento que movimenta milhões de pessoas de todas as partes do mundo para ouvir um senhor de idade proclamar que todos são filhos amados de Deus e sua dignidade é intrínseca a esse fato, não pode ser entendido pelos padrões da utilidade. Parece inútil rezar a um Deus que potencialmente não existe e parar uma metrópole para receber um chefe de estado. Chefe de estado esse que goza de prestígio flagrantemente invejado pelos políticos, que professam sua religião estatista que nos decepciona sistematicamente, que se veem obrigados, não por força de lei, mas por força da verdade, se curvar àquele que não traz "ouro nem prata, mas o que tenho de mais precioso, Jesus Cristo".

Tal visão utilitarista é míope, não quer saber e não consegue entender que abrir sua casa para um estranho e conhecer realidades de além-mar, sacrificar-se pelo outro, sem ter nenhuma obrigação de fazer isso, se esforçar para entender línguas estranhas, rostos estranhos, culturas estranhas, nos torna menos estranhos. A caridade nos torna melhores, porque é ela que, em última instância, como mãe de todas as virtudes, no faz vencer todos os vícios. A caridade, muitas vezes traduzida por amor, não é qualquer amor, mas o amor incondicional, o amor gratuito dos filhos de Deus, o amor que não é possível para quem cultiva a ganância e a inveja.

A sociedade que não se render à caridade, está fadada ao fracasso. Isso não aprendi nos livros, mas no testemunho de meus novos amigos franceses e escoceses/poloneses, que dizem: "A Europa está morrendo. As pessoas não querem ter famílias, não querem ter filhos, não querem saber de Deus."

Enfim, se não é "útil" para os jovens gastar suas energias buscando o sentido para a própria vida, sua própria vida será inútil. 

quarta-feira, 17 de julho de 2013

Questões na JMJ: o aborto no Brasil. E se ela mentir?

Indagado sobre a legislação brasileira sobre o aborto, com toda a dificuldade de comunicação, tentei explicar para uma peregrina francesa como é a situação atual. Tendo acompanhado as notícias sobre o PLC 3-2013, pensei que seria difícil me fazer entender. Só que não. A conversa foi mais ou menos assim:

_ There is a law (PLC3-2013) that can be approved which says that if a woman is abused, she can have a legal abortion.
_ OK, but what if she lies?
_ ...

Ela resumiu tudo numa frase: "E se ela mentir?"

quinta-feira, 11 de julho de 2013

O Inverno Demográfico

Quando comecei a pensar no assunto, não sabia que era tão grande a profundidade e seriedade da questão. Depois de assistir esse vídeo sensacional, revi muitos conceitos.


Me lembro, particularmente, de algumas coisas:

A inusitada situação da Hungria:
http://angueth.blogspot.com.br/2012/02/familia-segundo-chesterton-e-os.html

Em 13 de Julho de 1917, Nossa Senhora de Fátima avisou:
"Se atenderem a Meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja. Os bons serão martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão aniquiladas."

Gilbert já nos prevenia:
"Este triângulo de truísmos constituído pelo pai, pela mãe e pela criança, não pode ser destruído; só podem ser destruídas aquelas civilizações que não o respeitam" G. K. Chesterton

E vivam as crianças!

terça-feira, 9 de julho de 2013

Nem capitalismo, nem socialismo -- O que é distributismo?



O que é Distributismo?

O Distributismo tem suas raízes nas teorias econômicas e sociais articuladas nos documentos dos pontífices católicos, começando com o Papa Leão XIII, na "Rerum Novarum". Essas encíclicas sociais trazem imperativos nas transações econômicas e suas relações com o trabalho, solidariedade, salários, a larga difusão da propriedade, e os limites apropriados à tecnologia. O Distributismo é um sistema econômico que concorda com os princípios desses documentos, e é centrado na mais vasta posse de propriedade possível como a melhor garantia da liberdade política e econômica. Uma família que tenha sua própria terra e suas próprias ferramentas pode levar sua vida sem ser dependente de terceiros por emprego. Assim, o Distributismo almeja estender a propriedade para quantos forem possíveis, e acabar com a concentração da propriedade por poucos capitalistas ou pelo Estado.

O que são os 'meios de produção'?

Meios de produção são terra, ferramentas e equipamentos necessários ao trabalho para transformar materiais brutos em bens e serviços. Como riqueza (bens ou serviços) somente é possível pela combinação dos meios de produção, trabalho e matérias primas, acreditamos que é melhor quando esses são adquiridos cooperativamente (de posse do trabalhador) ou trabalhados inteiramente pela família.

Vocês são Capitalistas ou Socialistas?

Nenhum dos dois. Capitalismo - ou proletarianismo - é um sistema baseado na maximização dos resultados dos investimentos, e busca isso à expensa do trabalho e do bem comum. O Socialismo busca eliminar a propriedade e colocá-la nas mãos de um governo impessoal e centralizado. Os dois sistemas - capitalismo e socialismo - limitam a real propriedade na prática. A única diferença entre um estado socialista e um capitalista é se o poder está concentrado em poucas mãos privadas ou burocráticas.

Então vocês não suportam um "Grande Governo"?


Distributistas são descentralistas que acreditam que a maioria das funções organizacionais (negócios, governo, ou trabalho) deveriam ocorrer no menor nível de competência possível (subsidiariedade). Instituições como cooperativas locais e governos existem para frear controles em larga escala, sejam eles burocráticos ou comerciais.


O que tem a ver com justiça?


Desde os tempos de Aristóteles, os filósofos e economistas consideram que a justiça é um elemento integral do mercado; um fator a ser considerado antes que as trocas se efetivem. Todavia, durante o período da história conhecido como o Iluminismo, surgiu o equívoco de que a justiça social viria somente das "forças do mercado", ou do planejamento central pelo governo. Nesse caso, o homem se torna uma mera engrenagem na máquina da economia; ele é reduzido a uma insignificância material que desconsidera sua natureza decaída ou telos (propósito). Assim, enquanto sabemos da dependência do homem dos bens materiais, reconhecemos que o comércio e as políticas sociais devem estar subordinados à sua vocação virtuosa.


Não seria o Distributismo menos eficiente, nos tornando todos mais pobres?

Apesar do capitalismo se dizer altamente "eficiente", ele não funciona tão bem sem massivas despesas e intervenções governamentais. Os distributistas afirmam que a propriedade produtiva é uma geradora genuína de riqueza, porque serve e sustenta a família materialmente (comida, roupa, e abrigo), e cultiva a alma para o trabalho. Ademais, nós enfatizamos que a propriedade distribuída é na verdade mais eficiente e menos dependente de enormes conglomerados governamentais ou corporativos. A propriedade significa liberdade para o dono em relação à volatilidade financeira, assim como, da perspectiva do dono da casa, a terra transcende os valores de mercado devido à sua indispensabilidade para a estabilidade da família.

Qual é a sua posição em relação à nossa crise econômica atual?

Salários estagnados, usura, especulação, derivativos, desperdício e dívidas dos consumidores são somente uma parte dos problemas que transformaram uma terra de pequenos negócios e pequenos fazendeiros em uma nação dividida em corporações entregando suas responsabilidades aos contribuintes e um governo obrigado a ver as coisas de outra forma enquanto os empregos são mandados para o exterior. Com relativamente poucos produtores e mais produção externa, a confiança da família em obter comida saudável, salários justos, casa própria, plano de saúde, e educação apropriada para seus filhos através do emprego, está entrando em colapso.

Como o distributismo planeja nos ajudar a restabelecer a sanidade econômica?

Nós acreditamos que um renascimento da economia local irá reparar o dano moldado pelas corporações que pressionam o governo por maiores subsídios do erário público. O distributismo traz uma economia humana e uma política social investida nas necessidades da família através da posse da propriedade e tecnologia sob medida. Nossos objetivos incluem a restauração do sistema de cooperativas, o apoio a negócios familiares e de posse dos trabalhadores, empréstimos de micro-crédito, agricultura suportada pela comunidade, e associações preocupadas em implementar programas de administração vigorosos. Nós suportamos iniciativas políticas para favorecer políticas de taxação diferenciadas, assistência legal para os negócios baseados em casa, assim como a revisão da contabilidade e das práticas bancárias. Pretendemos atingir nossos objetivos formando um movimento popular de acadêmicos e homens leigos trabalhando juntos para criar seções regionais dedicadas à implementação do programa distributista.


Isso tudo não é muito utópico?

Não, o distributismo é um sistema prático, que é validado por vários exemplos de empresas distributistas em funcionamento; em escala pequena, existem milhares de companhias baseadas em casa e de posse dos seus trabalhadores, bancos de micro empréstimos, uniões de crédito, e companhias de seguros; em larga escala, há a Cooperativa de Mondragón na Espanha, uma das mais bem sucedidas cooperativas na Europa, e a economia distributista de Emilia-Romagna (Bologna) na Itália, onde mais de 45% do PIB vem das cooperativas, e que se vangloria de um padrão de vida que é o dobro do restante da Itália e um dos maiores da Europa. As economias distributistas e companhias têm uma vantagem competitiva inerente sobre suas contrapartes capitalistas e socialistas, assim como vantagens sociais e comunitárias que o capitalismo e o socialismo não podem nem começar a atingir.



segunda-feira, 27 de maio de 2013

O Brasil não precisa de "controle de natalidade"

Não, não é uma afirmação gratuita, nem baseada só em convicções filosófico-religiosas. A informação é do próprio governo. (O interessante é que quando escrevia esse artigo, Papa Francisco tocou no tema). Não precisa muito para os anacrônicos malthusianos voltarem à tona. Como o Brasil é atrasado. Na Europa, a queda da natalidade é um problema seriíssimo. Os governos se esforçam para incentivar as mulheres a terem filhos. Aqui, ainda achamos que é uma evolução enorme trocar as crianças pelos bens materiais, pelo conforto além do necessário.

Pois bem, o IPEA, em seu relatório baseado no último censo do IBGE, alerta para as consequências da queda da taxa de natalidade na população brasileira. "Muita gente fala em controle da natalidade, mas a verdade é que a visão de que as brasileiras têm muitos filhos é equivocada. A opinião pública tem uma percepção distorcida da realidade." Ana Amélia Camarano, pesquisadora do IPEA.

Resumidamente, será um problema econômico. As mulheres brasileiras têm menos que dois filhos, em média. Seguindo nesse ritmo, vamos diminuir nossa população a ponto de faltarem trabalhadores. A ponto de todos terem que trabalhar cada vez mais para se aposentar, pois não há sistema que aguente. Um "resumo maior" pode ser conferido aqui.

Hoje é quase uma afronta dizer a uma mulher que ela deveria ter mais que um filho. Enquanto isso, vamos morrendo de tão gordos. E então, vamos fazer o quê? Trazer pra cá, como na Europa, os muçulmanos, que se reproduzem como coelhos? Os médicos cubanos? Daí, vamos pensando, com Drummond, um dia vamos dizer: "E acaso existirão os brasileiros?"

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Chesterton e o casamento gay - Não é gay e não é casamento

Tradução de: http://www.catholiceducation.org/articles/marriage/mf0167.htm

G.K. Chesterton: Não é Gay, e não é casamento
DALE AHLQUIST

Chesterton esteve constantemente certo em seus pronunciamentos e profecias porque ele entendeu que qualquer coisa que atacasse a família era ruim para a sociedade.

G.K. Chesterton
1874-1936

Uma das questões populares no tempo de Chesterton era 
"controle de natalidade".  Ele Não só objetava à ideia, ele 

objetava ao próprio termo porque ele significava o oposto do que dizia. Não significava natalidade, nem controle. Eu só posso imaginar que ele teria as mesmas objeções ao "casamento gay". A ideia é errada, mas o nome também. Não é gay e não é casamento. (NT: "gay" em inglês significa originalmente "feliz, alegre")


Chesterton esteve constantemente certo em seus pronunciamentos e profecias porque ele entendeu que qualquer coisa que atacasse a família era ruim para a sociedade. É por isso que ele falou contra a eugenia e a contracepção, contra o divórcio e o "amor livre" (outro termo que ele não gostava, por sua desonestidade), mas também contra a escravidão salarial, a educação estatal compulsória e mães contratando outras pessoas para fazer o que as mães são boas em fazer por si próprias. É seguro dizer que Chesterton permaneceria contra toda as tendências e novidades que se espalham como praga nos dias de hoje porque cada uma dessas tendências e novidades enfraquece a família. O Grandes Governo tenta substituir a autoridade familiar, e o Grande Negócio tenta substituir a autonomia da família. Há uma constante pressão cultural e comercial sobre pais, mães e filhos. Eles são minimizados e marginalizados e, sim, ridicularizados. Mas, como Chesterton diz, "Esse triângulo de truísmos, de pai, mãe e filhos, não pode ser destruído; só podem ser destruídas as civilizações que o negligenciam."

O último ataque à família não nem o último nem o pior. Mas tem um valor chocante, em que pese o processo de dessensibilização que a indústria da informação e do entretenimento nos trouxeram nos últimos anos. Os que tentaram falar contra a normalização do anormal encontraram "insultos ou silêncio", como Chesterton foi quando tentou argumentar contra as novas filosofias que eram promovidas pelos maiores jornais em seus dias. Em 1926, ele advertia, "A próxima grande heresia será um ataque à moralidade, especialmente a moralidade sexual." Seu aviso passou despercebido, e a moralidade sexual decaiu progressivamente. Mas, permitamo-nos lembrar que isso começou com o controle da natalidade, que é uma tentativa de criar o sexo como um fim em si mesmo, trocando um ato de amor por um ato de egoísmo. A promoção e aceitação do sexo sem vida, estéril e egoísta progrediu logicamente para a homossexualidade.

Chesterton mostrou que o problema da homossexualidade como uma inimiga da civilização é bem antigo. Em The Everlasting Man, ele descreveu o culto à natureza e a "mera mitologia" que produziu a perversão entre os gregos. "Assim como se tornaram antinaturais por cultuarem a natureza, se tornaram verdadeiramente anti-humanos por cultuarem o homem." Qualquer jovem, ele diz, "que tenha a sorte de crescer são e simples" tem naturalmente repulsa à homossexualidade porque "não é verdade para a natureza humana ou para o senso comum". Ele argumenta que se tentarmos agir com indiferença sobre isso, estaremos nos enganando a nós mesmos. É a "ilusão da familiaridade", quando uma "perversão se torna uma convenção".

Em Hereges, Chesterton quase faz uma profecia sobre o uso errado da palavra "gay". Ele escreve sobre "a muito poderosa e triste filosofia de Oscar Wilde. É a religião do carpe diem." Carpe diem significa "aproveite o dia," faça o que quiser e não pense nas consequências, viva somente o momento. "Mas a religião do carpe diem não é a religião de pessoas felizes, mas de pessoas muito infelizes." Há uma falta de esperança, assim como há falta de felicidade nela. Quando o sexo é somente um prazer momentâneo, quando não oferece mais nada além de si mesmo, não traz contentamento. É literalmente sem vida. E Chesterton escreve sobre isso em seu livro São Francisco de Assis, no momento em que o sexo deixa de ser um servo, se torna um tirano. Essa é, talvez, a mais profunda análise do problema dos homossexuais: eles são escravos do sexo. Eles estão tentado "perverter o futuro e desfazer o passado." Eles precisam ser libertados.

O pecado tem consequências. Ainda que Chesterton sempre sustente que devemos condenar o pecado e não o pecador. E ninguém demonstrou mais compaixão pelos caídos do que G.K. Chesterton. De Oscar Wilde, a quem ele chamava "o Chefe dos Decadentes", ele dizia que Wilde cometeu um "erro monstruoso" mas também sofreu monstruosamente por isso, indo para uma terrível prisão, onde foi esquecido por todas as pessoas que, antes, brindaram a sua cavalheira rebelião. "A sua vida foi completa, no sentido terrível de que a sua vida e a minha são incompletas, desde que não paguemos por nossos pecados. Neste sentido, alguém pode chamá-la de vida perfeita, como alguém fala de uma perfeita equação; ela se anula. De um lado, nós temos o saudável horror do mal; do outro, o saudável horror da punição."

Chesterton se referia ao comportamento homossexual de Wilde como um pecado "altamente civilizado", algo que era a pior aflição entre as classes ricas e cultas. Era um pecado que nunca foi uma tentação para Chesterton, e ele dizia que não era uma grande virtude para nós nunca cometer um pecado do qual nunca fomos tentados. Há uma outra razão pela qual devemos tratar nossos irmãos homossexuais com compaixão. Nós conhecemos nossos próprios pecados e fraquezas suficientemente bem. Philo de Alexandria dizia, "Seja gentil. Todos que você conhece estão travando uma terrível batalha." Mas a compaixão não pode nunca se comprometer com o mal. Chesterton pondera que nossa verdade não pode ser impiedosa, nem nossa pena ser mentirosa. Homossexualidade é uma desordem. É contrária à ordem. Os atos homossexuais são pecaminosos, ou seja, são contrários à ordem de Deus. Eles não podem nunca ser normais. E, pior ainda, não podem nunca ser equilibrados. Como o grande detetive de Chesterton, Padre Brown, dizia: "Os homens podem manter um determinado nível de bondade, mas nenhum homem até hoje foi capaz de manter um determinado nível de maldade. Esse caminho leva cada vez mais para baixo."

Casamento é entre um homem e uma mulher. Isso é ordem. E a Igreja Católica ensina que isso é uma ordem sacramental, com implicações divinas. O mundo veio zombando do casamento de maneira que agora está culminando como uniões homossexuais. Mas são os homens e mulheres heterossexuais que pavimentaram o caminho para esse decaimento. O divórcio, que é uma coisa anormal, agora é tratado como normal. A contracepção, outra coisa anormal, agora é tratada como normal. O aborto também não é normal, mas é legal. Fazer o "casamento" homossexual legal não o fará ser normal, mas irá contribuir para a confusão dos nossos tempos. E irá contribuir para a espiral de decadência da nossa civilização. Mas a profecia de Chesterton permanece: "Nós não seremos capazes de destruir a família. Nós iremos meramente destruir a nós mesmos por negligenciar a família."

sexta-feira, 1 de março de 2013

Casamento gay - maquiavélica destruição da família

Veja antes: Família - afetos e afetações

Agora que consideramos a natureza humana e temos pistas sobre algumas causas naturais de alguns comportamentos humanos -- como comentado em Ecce Homo -- podemos analisar as escolhas dos seres humanos, pois também é da nossa natureza poder fazer escolhas a partir do que sentimos. Talvez devemos analisar mais dois sentidos para palavra natureza. Um é relativo aos comportamentos que temos, que podem ter causas as mais diversas. Naturalmente temos vontade de comer, de dormir, de sorrir, de esganar alguém, de fazer sexo com alguém. Existem explicações naturais para pessoas que são canhotas, até para traços de personalidade, por exemplo introversão e extroversão. Mas, outro sentido tem a ver com a finalidade das coisas. A natureza do olho é ver, a natureza do pé é andar, a natureza do estômago digerir. Assim, quando o crente diz que algo vai "contra a natureza", baseado nos textos de São Paulo, o que São Paulo queria dizer é que usar os órgãos reprodutivos para outra coisa que não é a finalidade deles não é bom. O comportamento homossexual, portanto, pode ser considerado natural no primeiro sentido, dado que é uma coisa observada e até explicada de alguma forma, mas não no segundo sentido, quando parte de uma concepção de mundo em que as coisas têm um determinado propósito para existir. Não dá pra discordar quando alguém diz que homossexualidade é comportamento. Pode ter a causa que for, com explicação científica e tudo, mas é um comportamento, e como qualquer outro deve ser objeto de juízo moral, de conveniência para as próximas gerações. É isso que a humanidade sempre tem que fazer pra poder viver em sociedade. Qualquer criança deveria aprender que não se pode fazer tudo o que quer. Desejos não são direitos. Daí podemos voltar a refletir sobre a família, com menor risco de confusões nesse ponto.

Quando se estuda História, deve-se evitar as chamadas falácias de Parmênides - analisar fatos passados sob o prisma dos conhecimentos e da linguagem de hoje. Veja aqui um exemplo. Para entender um texto, não se pode ficar preso ao significado atual das palavras, mas no sentido que o contexto e a época estudada davam a ela. Por essa razão, os significados que usarei, para poder dialogar com os textos que serão citados, são que um "casal" é um homem e uma mulher (quando alguém diz que tem um casal de filhos, logo pensa em um menino e uma menina, ninguém pensa dois meninos ou duas meninas) e que surge uma "família" desse relacionamento, quando se incorporam a ele filhos. Esses significados estão ficando cada vez mais distantes de nós.

Mesmo o comunista Friedrich Engels percebe, em "A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado", que o reconhecimento da molécula fundamental pai-mãe-filho coincide com o início do desenvolvimento das civilizações. Só que Engels considerava a família como um produto do meio, e não o contrário. Discordando das ideias comunistas, no lado oposto das discussões antropológicas do século XX, Bronislaw Malinowski, em "Sex and Repression in Savage Society", indica que quando os humanos começam a controlar seus instintos em sociedades organizadas, a família se torna o berço do nascimento da cultura. Não é um produto dela, mas o ponto de partida da organização social. Até chegar nisso, as sociedades primitivas foram desenvolvendo regras para o comportamento sexual, ou seja, mesmo nas tribos mais selvagens já existiam limitações. A cultura não é instintiva para o homem, mas um produto de esforço moral e disciplina social. Assim se desenvolveram, mais do que outros, os povos europeus, chineses, indianos, na antiguidade. Quando, porém, os gregos e romanos começaram a liberar comportamentos como, dentre outros, a homossexualidade, o aborto, o declínio no número e tamanho das famílias, não por acaso seu declínio se acentuou. À medida que se revalorizava a família, a civilização européia se recuperava. Ou seja, quanto mais se tem o "direito" a fazer o que se quer, mais nos aproximamos da barbárie. A civilização é fruto das virtudes, não do seguimento dos instintos. Outros pensadores desenvolveram o tema:

chesterton-daguerre-web
"A família pudera-se muito bem definir como uma instituição humana essencial. Ninguém negará que ela foi a célula principal e a unidade central de quase todas as sociedades que até hoje existiram, excetuando-se, é claro, sociedades tais como a da Lacedemônia, que teve por objetivo supremo a eficiência e pereceu sem deixar vestígio de sua passagem sobre a terra. A despeito de sua profunda revolução, o Cristianismo nem por isso alterou aquela antiquíssima e bárbara relíquia; não fez senão inverter-lhe a ordem. Não negou a trindade de pai, mãe e filho. Apenas a leu ao contrário, convertendo-a em filho, mãe e pai. E ela passou a chamar-se, não simplesmente família, mas Sagrada Família, pois acontece que muitas coisas ficam sagradas quando são vistas ao contrário. Entretanto, alguns sábios de nossa decadência têm atacado a família. Impugnaram-na, segundo creio, erroneamente; ao passo que outros a têm defendido, mas também equivocadamente. O argumento mais comum de defesa é o de que, em meio à tensão e ao torvelinho da vida, a família representa algo tranqüilo, agradável e coeso. Mas há um outro possível argumento de defesa, que me parece evidente, qual seja o de que a família não é algo tranqüilo, agradável ou coeso." G.K. Chesterton


"A criança é o corolário significativo do pai e da mãe, e o facto de se tratar de uma criança humana traduz o significado ancestral dos laços humanos que ligam o pai e a mãe. Quanto mais humana, e por isso menos bestial, for a criança, mais esses laços ancestrais são duradouros e adequados à ordem da natureza. Por isso, não é um progresso na cultura e na ciência a tendência para enfraquecer esse vínculo primordial, mas antes o progresso deve ir logicamente no sentido de fortalecê-lo… Este triângulo de truísmos constituído pelo pai, pela mãe e pela criança, não pode ser destruído; só podem ser destruídas aquelas civilizações que não o respeitam." G. K. Chesterton

"Exceto pelas crianças, não haveria necessidade de qualquer instituição preocupada com o sexo. É somente por causa das crianças que as relações sexuais têm importância para a sociedade e merecem ser reconhecidas por uma instituição legal." Bertrand Russel

"A pátria é a família amplificada." Rui Barbosa

Desta forma, para a lei, o diferente, conceitualmente falando, de todas as relações sexuais humanas existentes, é o casamento, pelo seu potencial de realmente se tornar uma família. Por causa das crianças, não dos adultos, o Estado concede determinados direitos aos casais, porque se entende que é justo, por trazer um bem para a sociedade: os bebês e seu cuidado, que surgem espontaneamente. Ao tratar desigualmente os desiguais, ninguém tem direitos diminuídos por isso.

Pois bem, em nome da igualdade, do progresso, da mente aberta, do pensamento correto, somos chamados a revisar o conceito de família, "base da sociedade", segundo a Constituição de 1988, art. 226, caput. O Código Civil traz, no seu Art. 1.723, "É reconhecida como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher, configurada na convivência pública, contínua e duradoura e estabelecida com o objetivo de constituição de família." Ora, na época da Emenda Constitucional que instituiu a união estável, reconhecia o ministro Ricardo Lewandowski, “nas discussões travadas na Assembleia Constituinte a questão do gênero na união estável foi amplamente debatida, quando se votou o dispositivo em tela, concluindo-se, de modo insofismável, que a união estável abrange, única e exclusivamente, pessoas de sexo distinto".


Em se tratando da base do edifício, todo o cuidado é pouco para o restante não ruir. É no mínimo arriscado, pois, a redefinição de casamento e família, porque são instituições que não foram inventadas pelos seres humanos, mas descobertas, reconhecidas, e por isso atemporais. Um belo dia nos demos conta de sua existência e lhe demos um nome. Podemos melhorar a descrição de como ela é, mas nunca redefini-la. Em relação a este tipo de coisas, não se deveria raciocinar em termos de Direito Positivo, mas de Direito Natural. 

Dentre as várias perspectivas pelas quais a questão pode ser avaliada, deve ser priorizada a das crianças, pois são a parte mais frágil da situação. São elas que têm o direito de nascer fruto de um casamento, e não o contrário. As sociedades descobriram, pelo bem das crianças, que o casamento tem o potencial de gerar filhos e cuidar deles com um afeto naturalmente virtuoso -- uma família. A família deve ser, para os adultos, antes um dever perante as crianças, do que um direito. O casamento não é somente uma união romântica de afetos, mas também um comprometimento perante a sociedade de cuidar dos frutos dessa união. As crianças têm o direito de serem geradas em um ambiente saudável, fruto de uma união entre duas pessoas responsáveis, não de encontros frugais de duas pessoas que mal se conhecem, ou de relações que buscam tão somente uma busca de prazer inconsequente. Nós, adultos, temos plena capacidade de nos esforçarmos nesse sentido.

Por isso, várias culturas perceberam que o melhor para as crianças é que casamentos sejam indissolúveis, únicos, até à morte. O adultério é uma relação não oficial, um acasalamento fora da expectativa cultural das pessoas, mas que ainda assim não muda o fato de que uma criança só pode ser proveniente de um encontro entre um homem e uma mulher. Ainda que fora das convenções sociais ideais para ela, a criança fruto de um adultério continua a ter um pai e uma mãe. Pelo mesmo fato biológico imutável, as técnicas de tratamento da infertilidade fortalecem a potencialidade de que novas vidas sejam geradas por um homem e uma mulher, diminuindo então a objeção a que pessoas inférteis se casem. Não há diferença no tipo de relacionamento sexual de casais férteis ou inférteis como potenciais geradores de vidas. A possibilidade teórica de geração mútua é que torna a união de duas pessoas um casamento e uma potencial família. Tanto que infertilidade ou impotência é condição suficiente para anulação de casamento (inclusive para a Igreja Católica, diga-se de passagem), o que é diferente do divórcio. Declara-se nulo algo que nunca existiu, portanto não pode ser desfeito. 

Isso tudo fortalece a instituição do casamento, ao invés de enfraquecê-la. Poder-se-ia questionar se pessoas idosas ou irremediavelmente inférteis deveriam ter acesso ao casamento. Mesmo assim, esses casamentos se aproximam da relação fértil, à medida que reproduzem a complementaridade dos sexos. De qualquer forma, considero mais razoável não haver esses casamentos do que haver entre  homossexuais. Mas, levando em conta a possibilidade de adoção, os idosos e inférteis ainda podem se "aproximar da filiação natural", conforme comentarei adiante.

Mesmo que a moral sexual apresente diferenças nas diversas partes do globo no decorrer da história, em todas há o aspecto comum de se preocupar com a prole e seu cuidado, elaborando regras e restrições ao comportamento sexual dos indivíduos -- por exemplo, para controlar relações incestuosas, consanguíneas e pedofilia. Todas essas coisas são naturais (no primeiro sentido) no ser humano, mas saber controlar certas vontades naturais em sociedade é o que nos diferencia dos animais. Ou seja, mesmo entre homem e mulher, não é todo mundo que pode se casar. Isso porque as crianças têm o direito de saber quem são seus pais e serem cuidadas por eles. Cachorros fazem tudo o que querem, nós não. 

A criança tem o direito de ter uma genealogia, por isso, em uma certidão de nascimento deve constar o nome do pai e da mãe, independente do relacionamento que eles têm hoje, pois o que importa é o que tiveram uma vez e que gerou a criança. Uma criança pode ter um pai e um padrasto, por exemplo, e/ou uma mãe e uma madrasta, nos casos de divórcio, adultério ou viuvez. Padrastos e madrastas não precisam adotar o filho de seu companheiro para tratá-lo como enteado, nem alteram o sentido original de família para a criança. Há uma ordem: o padrasto e a madrasta não são pai nem mãe, tanto que recebem outro nome. Pode-se construir laços afetivos como se da família fossem, mas não irão constar em seus documentos, nem terão primazia de direitos em relação aos pais. Nada muda, para a criança, a sua gênese - seu pai e sua mãe. Ela tem o direito de conhecê-los, conviver, ser educada e cuidada por eles, de se situar em uma genealogia, de saber que tem uma origem.

Tristemente, algumas perdem seus pais ou são abandonadas, sendo cuidadas por outras pessoas em orfanatos. O Estado as mantém porque são uma parcela indefesa da sociedade, é justo e de interesse público cuidar delas e incentivar particulares a prestar esse serviço. É melhor, então, que alguém se disponha, generosamente, a cuidar delas. O Estatuto da Criança e do Adolescente regulamenta a adoção nos termos, dentre outros, do seu artigo 43, que tem por redação: "A adoção será deferida quando apresentar reais vantagens para o adotando e fundar-se em motivos legítimos." Recomendo a leitura deste estudo aqui, de uma especialista em Direito Civil, no qual é notável a preocupação de "imitar a filiação natural". Há também um juízo moral previsto na lei, vide seu Art. 3º, que é necessário, pois não é só porque existem interessados se apresentando que essa adoção será boa para a criança.

Assim, um homem e uma mulher generosos podem se oferecer para substituir, de fato e de direito, o pai e a mãe daquela criança, que irão "imitar a filiação natural". A criança tem o direito de receber um pai adotivo e uma mãe adotiva, havendo uma ordem respeitada aqui: o pai e a mãe adotivos são pai e mãe substitutos, já que os primeiros estão indisponíveis por força maior. Recriam, pois, esses laços para ela. Quando, por outro lado, ela é cuidada por 30 funcionários públicos no orfanato, nem por isso precisa ser registrada com, digamos, 10 "pais" e 20 "mães", pois são só pessoas que cuidam dela. Em alguns casos, se tem concedido que a criança seja adotada por uma pessoa somente, tendo somente um pai ou somente uma mãe em sua certidão, o que não foge tanto de uma situação real, mas mesmo assim indesejável. Se um dos pais está morto, ele não deixa de ser pai ou mãe. Quando, porém, dois homens ou duas mulheres adotam uma criança, a privam do seu direito de ter um pai ou uma mãe. Se fossem imitar uma situação natural, poderiam adotar a criança com um pai ou uma mãe, mas não é isso o que querem. Colocam o seu suposto direito na frente do da criança.

Vejamos este caso sob a ótica da criança. Quando fizeram a inseminação artificial, alguém pensou no direito dela de ter um pai conhecido? Ela veio do espermatozoide de um pai que se negou previamente a conhecê-la, com o consentimento da mãe, que pagou - caro - por isso. Fizeram bastante força para gerar a coitada da criança nessa situação. Por que se permite que isso aconteça? É um abandono premeditado e intencional. É completamente diferente da pessoa que perde o pai ou é abandonada. Querem lhe dar uma segunda mãe no lugar do pai. Ora, ela tem um pai. Ou seja, desde o início o direito prioritário não foi o da criança. Agora querem remendar um mal-feito com outro -- uma gambiarra jurídica. Seria menos complicado explicar para a criança que ela não tem pai conhecido do que duas mães -- o que ela não tem, definitivamente. Ela vai ser criada num ambiente que diz: não precisamos de homens, podemos comprar esperma congelado, como bois e vacas. Ser mãe e homossexual dessa forma significa dizer para a criança: eu desprezo o seu pai e ele despreza você, você foi gerada num ambiente de mútuo desprezo. Isso está bem longe do princípio constitucional da dignidade da pessoa humana. 

Há um falso conceito, derivado da ideologia de gênero, de que não existe nenhuma diferença entre os sexos. Daí alguns pensam que qualquer diferenciação entre os sexos é uma discriminação injusta. Se assim fosse, tanto faria ter duas mães ou dois pais, pois não existiria figura masculina ou feminina. Mas, se tanto faz o sexo, termos como heterossexual e homossexual não fazem sentido. Se pedem tanto respeito às diferenças, por que insistem tanto em que não há diferenças? Por que chamam de retrógrados os que não defendem mudanças nas leis, mas para isso usam como argumento a (falta de) lei moral de milênios atrás? Tudo isso é falso porque evidentemente auto-contraditório, como o cético que duvida de tudo, até da sua dúvida. Falso, porque não corresponde à realidade. Afinal, a pessoa que quer ter filhos tem que se render à diferença imposta pela biologia, que permitiu a sua própria existência. Confundem igualdade com equivalência. Homens e mulheres são iguais em dignidade, mas não são equivalentes em suas características, ou nem mereceriam distinção linguística. Toda criança aprende a diferença entre meninos e meninas. O que vão querer fazer com isso depois de crescidos é outra coisa. A luta pelo respeito à diferença terminou por anular a diferença. No comunismo terminamos todos pobres, no gayzismo  terminamos todos assexuados.

Em resumo, a adoção por um casal reafirma a importância da família para aqueles que a perderam, reconstruindo laços cortados, enquanto a adoção por outras pessoas os afastam da ideia de família, necessariamente. Casar-se e ser pais de crianças não depende da sexualidade da pessoa, mas do seu sexo em si. Sexo, do latim sectare - separado, diferente. Uma criança precisa de pai e mãe, por mais amor que possa ser dado na ausência de um, sempre haverá uma lacuna. Se há muitos órfãos, por que, em nome da dignidade da pessoa humana, o governo não incentiva economicamente casais a adotar crianças? Talvez usando as verbas públicas para os orfanatos, ou o dinheiro gasto para distribuir lubrificantes sexuais? As crianças não tiveram a opção de serem abandonadas. A tão defendida opção sexual agora tem que ser financiada com dinheiro público?

Mesmo que se desconsidere as crianças, não é justo nem de interesse público que dois homens ou duas mulheres tenham direitos diferenciados só porque gostam de fazer determinado uso de seus órgãos reprodutores. O que há de tão importante e benéfico para a sociedade nisso? O que há de tão sagrado aí que ninguém possa julgar ao menos moralmente reprovável? Querem ter acesso aos direitos dos casais sem ser um casal de fato.

Mas vamos fazer um esforço e tentar pensar que estamos somente tentando melhorar a definição para incluir o que antes não estávamos percebendo por preconceito e conservadorismo irrefletido. Vamos supor que o casamento é feito somente de afeto. Então dois amigos que dividam um apartamento e se gostam bastante são um casal. Ah, não, para isso eles precisam ter relações sexuais. O fundamento dessa "família", na verdade, é um afeto acrescido de coito anal, e seus frutos vão terminar na privada, na melhor das hipóteses... O que a sociedade ganhou com isso? Mais cocô? Nesse raciocínio, se meu pai começar a odiar minha mãe ele deixa de ser minha família? Se meu avô e minha avó não fizerem mais nada na cama, deixaram de ser um casal, apesar de terem dezenas de herdeiros? Sentimentos vão e vêm, a base da sociedade devia ser algo mais firme, não?

A família torna possível a sociedade, primeiro gerando bebês e depois criando estruturas sociais civilizadas que cuidam deles com afeto. O casamento e a família são nomes para instituições que existem independente da lei, que não tem o poder de criá-los ou redefini-los, mesmo que se queira, só restando reconhecê-los pelo que são, independente de nossa vontade. Podemos até chamar um quadrado de triângulo, mas ele não deixará de ter quatro lados porque o chamamos com o nome de outra coisa. Um relacionamento homossexual não será nunca um casamento, menos ainda uma família, mesmo que a lei comece a chamá-lo assim e isso esteja escrito em uma certidão. Buscar soluções jurídicas para, por exemplo, pensão, seguridade social, plano de saúde, etc, modificando abruptamente o sentido das palavras causará insegurança jurídica, desordem na sociedade. É possível outro tipo de contrato. Relações contratuais baseadas somente em afeto e interesses comuns se chamam clubes, associações, empresas, sociedades. No andar da carruagem, não demora para que sejam celebrados "casamentos" entre duplas do mesmo sexo, se conceda adoção e tudo o mais. Já se fala inclusive em arranjos "poliafetivos", vide análise do último censo. Será a volta da poligamia e poliandria institucionalizada, que existia antes da civilização.  Daqui há pouco haverá "casamento" coletivo. Isso é que é ser retrógrado e antiquado. Para tudo criam uma nova palavra para coisas velhas. Não dá pra concordar quando dizem que não querem destruir nada. Não só querem como o têm feito, há décadas. É certo que o casamento civil não passa de um contrato e que o religioso pode continuar com suas celebrações matrimoniais do jeito que quiser, mas se esse contrato já abarca tantas realidades de arranjos diferentes, já não se pode mais chamá-lo casamento, pois já não é muito diferente do contrato social de uma empresa particular. Está destruído, no Direito de Família, o casamento. Como não querem admitir isso, mudam o significado do termo até que ele não signifique mais nada. Isso se chama significante vazio, por culpa de Ernesto Laclau, sobre isso veja um pouco aqui. É a versão moderna do velho sofisma.

Agora defendem que o termo "homossexualismo" não é adequado, pois o sufixo -ismo é para doenças, o correto é "homossexualidade". Então comunismo agora vai ser comunidade? Capitalismo, capitalidade? Socialismo é sociedade? Eles vão ter que acostumar a discutir com quem acredita na "cristianidade"? 

Doença é essa tara de ficar mudando os termos a toda hora. Como isso já virou práxis, resta agora acrescentar algum adjetivo infeliz ao casamento e à família para se referir ao seu significado original: casamento tradicional, natural, antigo, etc. Será como se referir a triângulos de três lados, sem que as pessoas percebam o pleonasmo. Devemos preservar uma substância, não somente um nome, mas estamos mudando os nomes e a consequência é a perda da noção da substância. 

Dizer que algo é bom porque é antigo é tão falacioso quanto dizer que é bom porque é novoNão é porque a família é tradicional que a defendem. É porque a defenderam por milênios que ela se tornou tradicional. Justamente porque é uma instituição frágil, mas é o berço e a base da civilização, foi e deveria continuar sendo defendida, incentivada e fundada em bases mais sólidas do que a lama movediça dos sentimentos humanos. Enquanto isso, ficamos aqui debatendo termos, numa sociedade que não sabe nem que língua fala mais e acha que rejeitar as regras da lógica é a mais alta filosofia.

A mentalidade prejudicial ao bem comum é a prática maquiavélica de reformar intencionalmente os conceitos para atingir objetivos predeterminados, e não por o que as coisas são em si, gerando uma confusão semântica na mente das pessoas que atrapalha os diálogos e até o desenvolvimento da ciência. Isso é obscurantismo velado, disfarçado de esclarecimento. Na confusão encomendada sobre o que é o bem e o mal, o mal é não saber mais o que é o bem. Para parecer moderninho um monte de gente vai seguindo a moda e troca de opinião como quem muda de roupa. Efeitos colaterais de neofilia. Isso, sim, gera preconceitos e potencializa agressões, por pura incapacidade de entender o que o outro quis dizer. Em nome de um suposto progresso, estamos regredindo como civilização. Estão causando falácias de Parmênides de propósito, com o objetivo de causar confusão. Os discursos estão normalmente tomados de emoções e incompreensões de todos os lados e a boa-vontade tem passado longe. Não se deveria ofender nem apedrejar ninguém por pensar diferente, como esse pessoal aqui. Não se deveria censurar articulista pelo mesmo motivo, como aqui. Nem incentivar ou aceitar que se cometam agressões e ofensas contra quem quer que seja, ou alguém revogou o "não matarás" e não estou sabendo? Aliás, dizem que há uma epidemia de homofobia. O estudo completo do Grupo Gay da Bahia, completamente sem fontes de dados, indica "impressionantes" 260 assassinatos contra gays. Pois, se temos 49.932 homicídios no mesmo período, não preciso de doutorado para ver que os assassinos preferem duzentas vezes mais matar os heteros. Se o mesmo grupo afirma que os gays no Brasil são ao menos 10% da população, para haver homofobia os crimes deveriam apresentar uma proporção maior que esta em relação ao total, não 0,5%!!! Ah, sim, 99% dos brasileiros são homofóbicos e devem ser reeducados.  Democracia mudou de sentido também, agora é 1% dizer ao resto em que deve acreditar. Liberdade de crença também mudou, você pode ter a religião que quiser, desde que ela não discorde nesse ponto, senão você é homofóbico. O Estado agora assume a função de exegeta bíblico enquanto se diz laico. Estão me chamando de burro ou o quê? Então, se não sou comunista, sou comunistofóbico, se não sou nazista, sou nazifóbico, se não sou estrangeiro, sou xenofóbico? Se não gosto que toquem funk alto na minha rua eu sou funqueirofóbico? Se eu gosto de andar pelado, toda a sociedade deve mudar seus conceitos sobre eu não poder fazer isso em público? É minha maneira de manifestar amor por todos... Daqui a pouco vai ter parada do orgulho nudista. Direito agora é baseado nas vontades das pessoas, basta ter evidência científica que qualquer comportamento se torna lícito? Sempre houve pedofilia, poligamia, zoofilia e outros mais. Deve haver razões biológicas e psicológicas para isso, mas a explicação das causas não torna nada santo e intocável.

Afinal, essa é a sociedade que queremos? Com mais afeto? Veja o que confessam essas imagens, da manifestação recente na França pró-casamento-gay.


"Sim ao divórcio para todos" - Mas não queriam casar?

"Até a abolição do casamento. Liberdade, igualdade, orgulho"

Isso não irá gerar mais afeto na sociedade, mas incendiar um debate que de per si já é carregado de emoções e ressentimentos. Por tudo isso, não é bom para a sociedade brasileira o STF acreditar que tem o poder de mudar os significados de conceitos naturais - independentes da lei e da sociedade - para fazer nossa Lei Maior dizer o que nunca quis, além de exercer, na prática, o poder de constituinte derivado que deveria ser exclusivo do Legislativo. Será que nesse Admirável Mundo Novo já podemos dizer "feliz 1984"? 

“O progresso técnico é rápido, mas é inútil sem um idêntico progresso na caridade. Antes, é mais que inútil, porque nos disponibiliza uns meios mais eficazes para retroceder”. Aldous Huxley

A maior confusão, porque fonte de todas as outras, é a de afeto com amor. Atração sexual somente, tenha ela a causa que for, não é amor. Namoros, flertes, transas, são paixões, não amor. Podem ser componentes do amor, partes dele, mas não o são em sua totalidade. Há um quê de compromisso, doação, resiliência, renúncia, sacrifício, para que seja amor completo. Toma-se somente Eros e Philia, esquece-se do Agape. Quem  disse que o casamento é um mar de rosas, que as pessoas são infinitamente felizes e realizadas, que não há dificuldades nem restrições? Isso é romantismo ingênuo.  Casamento primeiro foi dever antes de ser direito. Voltemos a Roma, que conhecia tão bem a homossexualidade, estará lá o matrimônio e suas regras no corpus juris. Nada de homem com homem na lei. Por isso, o fundamento da família não deve ser os sentimentos que as pessoas têm, que nem sempre são bons, tranquilos e harmoniosos, mas o amor, porque é uma virtude, não um sentimento passivo, mas um propósito, uma disposição firme em prol de algo maior e que pode, sim, ser um mandamento, desejável como sólido fundamento para a sociedade. As crianças merecem ser amadas e não serem vítimas de gambiarras jurídicas e sociais. 

Encerro, de novo, com Chesterton, que viveu no início do século XX, com essa surpreendente descrição da nossa situação atual :


“Suponhamos que surja em uma rua grande comoção a respeito de alguma coisa, digamos, um poste de iluminação a gás, que muitas pessoas influentes desejam derrubar. Um monge de batina cinza, que é o espírito da Idade Média, começa a fazer algumas considerações sobre o assunto, dizendo à maneira árida da Escolástica: “Consideremos primeiro, meus irmãos, o valor da luz. Se a luz for em si mesma boa…”. Nesta altura, o monge é, compreensivelmente, derrubado. Todo mundo corre para o poste e o põe abaixo em dez minutos, cumprimentando-se mutuamente pela praticidade nada medieval. Mas, com o passar do tempo, as coisas não funcionam tão facilmente. Alguns derrubaram o poste porque queriam a luz elétrica; outros, porque queriam o ferro do poste; alguns mais, porque queriam a escuridão, pois seus objetivos eram maus. Alguns se interessavam pouco pelo poste, outros, muito; alguns agiram porque queriam destruir os equipamentos municipais. Outros porque queriam destruir alguma coisa. Então, aos poucos e inevitavelmente, hoje, amanhã, ou depois de amanhã, voltam a perceber que o monge, afinal, estava certo, e que tudo depende de qual é a filosofia da luz. Mas o que poderíamos ter discutido sob a lâmpada a gás, agora devemos discutir no escuro.” G. K. Chesterton, Hereges, Ed. Ecclesiae


Mais em:

http://gloria.tv/?media=358246
http://sacramentodeamor.org.br/novo/a-constituicao-brasileira-a-familia-e-a-inseguranca-juridica/
http://catholiceducation.org/articles/marriage/mf0060.html
http://www.firstthings.com/article/2013/02/homosexual-marriage-parenting-and-adoption