Mostrando postagens com marcador Peter Kreeft. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Peter Kreeft. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Os pilares da descrença - Nietzsche, o autoproclamado AntiCristo

Tradução de: http://www.peterkreeft.com/topics-more/pillars_nietzsche.htm

Friedrich Nietzsche se autoproclamava "o Anti-Cristo", e escreveu um livro com esse título. Ele defendia o ateísmo da seguinte forma: "Eu irei agora provar que não existem deuses. Se há deuses, como eu poderia suportar não seu um deus? Consequentemente, não há deuses."

Ele desprezava a razão, assim como a fé, frequente e deliberadamente contradizendo a si mesmo, dizia que "um escárnio é infinitamente mais nobre do que um silogismo" e apelava para a paixão, retórica e mesmo ódio deliberado  ao invés de razão.

Ele via o amor como o "grande perigo" e a moralidade como a maior fraqueza da humanidade. Ele morreu insano, em um asilo, de sífilis, assinando suas últimas cartas como "O Crucificado". Ele foi adorado pelos Nazistas como seu filósofo semi-oficial.
Mesmo assim, é admirado como profundo e sábio por muitas das maiores mentes do nosso século. Como pode ser?
Há três escolas de pensamento sobre Nietzsche. A mais popular entre os acadêmicos é a escola dos "Nietzscheanos gentis", que defendem que Nietzsche era, de fato, um cordeiro em pele de lobo; que os seus ataques não podiam ser tomados literalmente e que ele era realmente um aliado, não um inimigo, das instituições e valores ocidentais que ele denunciava.
Esses acadêmicos se assemelham aos teólogos que interpretam falas de Jesus como "ninguém vem ao Pai senão por mim" significando "todas as religiões são igualmente válidas", e "quem se casa com uma mulher divorciada comete adultério" significando "deixem seus divórcios serem criativos e razoáveis."
Segundo, há os "horrível, horrível" Nietzscheanos. Eles ao menos o concediam honra por levá-lo a sério. São típicos nas notas de rodapé em um velho livro texto católico de filosofia moderna, que dizia somente que Nietzsche existiu, era um ateu e morreu insano -- um fato que poderia deixar bem avisado qualquer um que se demorasse em seus livros.
Uma terceira escola de pensamento vê Niezsche como um lobo e não um cordeiro, mas um pensador muito importante porque ele mostra à civilização ocidental seu próprio negro coração e futuro. É fácil fazer de bode expiatório e apontar os dedos para "ovelhas negras" como Nietzsche e Hitler, mas não há um "Hitler em nós mesmos?" (para citar o título de Max Picard)? Nietzsche não deixou o gato sair da sacola? O demoníaco gato que estava escondido na respeitável sacola do humanismo secular? Desde que "Deus está morto", também está o homem, a moralidade, o amor, a liberdade, a democracia, a alma e, por fim, a sanidade. Ninguém mostra isso mais vividamente do que Nietzsche. Ele pode ter sido responsável (muito sem intenção) por muitas conversões.
Os temas principais de Nietzsche podem ser sumarizados pelos títulos dos seus principais livros. Cada um é, de diferentes formas, um ataque à fé. O centro da filosofia de Nietzsche é o mesmo: ele é tão centrado em Cristo como Agostinho era, só que centrava em Cristo como seu inimigo.
O seu primeiro livro, "O Nascimento da Tragédia como o Espírito da Música", sozinho, revolucionou a visão aceita dos antigos gregos como "doces e iluminados", razão e ordem. Para Nietzsche, os poetas trágicos foram os grandes Gregos, e os filósofos, começando com Sócrates, foram os menores, pálidos e desapaixonados. Todo o mundo ocidental que se seguiu a Sócrates e seu racionalismo e moralismo negara o outro lado do homem, negro e trágico.
Niezsche, ao contrário, exaltava a tragédia, o caos, a desordem e a irracionalidade, simbolizada pelo deus Dionísio, deus do crescimento, orgias e bebedeiras. Ele afirmava que Sócrates, ao contrário, havia levado o mundo ao culto de Apolo, deus do sol, luz, ordem e razão. Mas, o destino do deus de Nietzsche, Dionísio, estava prestes a levar o próprio Nietzsche; da mesma forma que Dionísio foi literalmente atormentado pelos Titãs, monstros sobrenaturais do submundo, a mente de Nietzsche vinha sendo quebrada e dividida pelos seus próprios Titãs internos.
"O Uso e o Abuso da História" continuou o tema de Dionísio vs Apolo. O "abuso da história" é (de acordo com Nietzsche) teoria, ciência, verdade objetiva. O uso correto da história é alcançar a "vida". Vida e verdade, fogo e luz, Dionísio e Apoli, vontade e intelecto, são colocados em oposição. Nós vemos Nietzsche sendo dilacerado aqui, pois estas são as duas partes do eu.
"Ecce Homo" foi um desavergonhado egotismo pseudo-autobiográfico. Apesar de ter sido somente um padioleiro na guerra, Nietzsche dizia que era um "presunçoso velho homem de artilharia" adorado por todas as damas. Na verdade, ele era um velho homem solitário que não podia suportar a visão de sangue, um anão emocional empinado como Napoleão. O que mais terrível é que ele voluntariamente abraça sua falsidade e fantasia. É consistente com sua filosofia preferir "qualquer coisa que eleve a vida" à verdade. "Por que não viver uma mentira?" ele pergunta.
"A Genealogia da Moral" afirmava que a moralidade era uma invenção dos fracos (especialmente os judeus, e então os cristãos) para enfraquecer os fortes. Os cordeiros convenceram o lobo a agir como um cordeiro. Isso não é natural, argumenta Nietzsche, e vendo a origem não natural da moralidade nos ressentindo da inferioridade irá nos livrar do seu poder sobre nós.
"Além do Bem e do Mal" é a moralidade alternativa de Nietzsche, ou a "nova moralidade". "Moralidade mestre" é totalmente diferente da "moralidade escrava", ele diz. O que for que um mestre comande é bom pelo simples fato de que o mestre comanda. Os fracos cordeiros têm uma moralidade de obediência e conformidade. Os mestres têm o direito natural de fazer o que eles quiserem, pois desde de que não há Deus, tudo é permissível.

"O Crepúsculo dos Ídolos" explora as consequências da "morte de Deus". (É claro que Deus nunca vive realmente, mas a fé Nele sim. Agora, ela está morta, diz Nietzsche.) Com Deus, morrem todas as verdades objetivas (pois não há nenhuma mente acima da nossa) e os valores objetivos, leis e moralidade (pois não há nenhuma vontade acima da nossa). Alma, livre-arbítrio, imortalidade, razão, ordem, amor - todos essas são "ídolos", pequenos deuses que estão morrendo, agora que o Grande Deus morreu.

O que irá substituir deus? O mesmo ser que irá substituir o homem, o Super-Homem. A obra prima de Nietzsche, "Assim falou Zaratustra", celebrava esse novo deus.
Nietzsche chamava de "Zaratustra" a nova Bíblia, e chamou o mundo a "jogar fora todos os outros livros, pois você tem o meu 'Zaratustra'." Sua retórica é intoxicante e cativou adolescentes por gerações. Foi escrito em somente alguns dias, numa "escrita automática" e frenética, talvez literalmente de inspiração demoníaca. Nenhum livro jamais escrito continha mais arquétipos Junguianos, numa demonstração de imagens do inconsciente como fogos de artifício.

Sua mensagem essencial era a condenação do homem do dia presente como fraco e o anúncio da nova espécie por vir, o Super-Homem, que viveria pela "moralidade mestra" ao invés da "moralidade escrava". Deus está morto, longa vida ao novo deus!
Mas, em "O retorno eterno", Nietzsche descobre que todos os deuses morrem, mesmo o Super-homem. Ele acreditava que toda a história necessariamente se movia em um círculo sem fim, repetindo todos os eventos passados - "Não há nada de novo debaixo do sol." Nietszche deduziu essa conclusão de duas premissas: (1) um monte finito de matéria e (2) um monte infinito de tempo (desde que não há criador e nem criação); então toda combinação possível de partículas elementares, cada palavra possível, ocorre um número infinito de vezes, dado um tempo infinito. Tudo, mesmo o Super-homem, irá retornar novamente a ser poeira, desenvolver vermes, macacos, homens e Super-homens, de novo e de novo.
Ao invés de desesperar, como o Eclesiastes, com essa nova história sem esperança, Nietzsche percebeu a oportunidade de celebrar a irracionalidade da história e o triunfo da "vida" sobre a lógica. A virtude suprema seria a coragem da vontade em afirmar essa vida sem sentido, além de qualquer razão, por razão alguma.

Mas, no último trabalho de Nietzsche, "A vontade de poder", a ausência de um fim ou objetivo aparece como demoníaca, e espelha o caráter demoníaco da mente moderna. Sem um Deus, um céu, uma verdade, ou uma divindade absoluta para se almejar, o significado da vida se torna simplesmente " a vontade de poder". O poder se torna seu próprio fim, não um meio. A vida é como uma bolha, vazia por dentro e por fora; mas o seu significado é uma autoafirmação, egoísmo, estourar a sua bolha, expandir o seu ego sem sentido até o vazio sem sentido. "Somente a vontade," é o aviso de Nietzsche. Não interessa o que você deseja ou porquê.

Nós estamos agora em uma posição de ver porque Nietzsche é um pensador tão crucial e importante, não apesar, mas por causa de sua insanidade. Ninguém, na história, exceto possivelmente o Marquês de Sade, fez tão clara, cândida e consistentemente uma alternativa completa ao Cristianismo.
As sociedade e filosofias pré-cristãs (pagãs) eram como virgens. As sociedades e filosofias pós-cristãs (modernas) são como divorciadas. Nietzsche não é um pagão pré-cristão, mas o essencial e moderno pós-cristão e anti-cristão. Ele viu corretamente Cristo como seu inimigo e rival. O espírito do Anti-Cristo nunca recebeu uma formulação tão completa. Nietzsche foi não somente o filósofo favorito da Alemanha Nazista, foi o filósofo favorito do inferno.

Podemos agradecer a tolice de Satã em "tirar sua máscara" nesse homem. Como o Nazismo, Nietzsche pode nos mostrar o inferno fora de nós e nos ajudar a salvar nossa civilização ou mesmo nossas almas por nos fazer ver o terror antes que seja muito tarde.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Os pilares da descrença - Kant, o subjetivizador da Verdade

Tradução de: http://www.peterkreeft.com/topics-more/pillars_kant.htm
Poucos filósofos na história foram tão ilegíveis e secos como Immanuel Kant. Entretanto, poucos tiveram um impacto tão devastador no pensamento humano.
Dizem que o devotado servo de Kant, Lampe, leu fielmente cada coisa que seu mestre publicou, mas quando Kant publicou seu mais importante trabalho, "A Crítica da Razão Pura", Lampa o começou mas não terminou porque, ele disse, se ele devia fazê-lo, deveria ser em um hospício. Muitos estudantes desde então têm ecoado os seus sentimentos. 
Mesmo assim, esse professor abstrato, que escreve em estilo abstrato sobre questões abstratas, é, acredito eu, a fonte primária da ideia que hoje impera na fé (e consequentemente nas almas) mais do que qualquer outra; a ideia de que a verdade é subjetiva.
Os simples cidadãos de sua nativa Konigsberg, Alemanha, onde ele viveu e escreveu na segunda metade do século 18, entender isso melhor do que os acadêmicos profissionais, pois o apelidaram de "O Destruidor" e chamaram seus cachorros por seu nome.
Ele era um homem de bom temperamento, doce e piedoso, tão pontual que seus vizinhos acertavam seus relógios por sua caminhada diária. A intenção básica de sua filosofia era nobre: restaurar a dignidade humana por meio de um mundo cético que valorizasse a ciência.
Essa intenção ficou clara por uma simples anedota. Kant estava assistindo uma aula de um astrônomo materialista, no tópico sobre o lugar no homem no universo. O astrônomo concluiu sua aula com: "Então vocês veem que, astronomicamente falando, o homem é completamente insignificante." Kant respondeu: "Professor, o senhor esqueceu a coisa mais importante, o homem é o astrônomo."
Kant, mais do que qualquer outro pensador, deu ímpeto à troca tipicamente moderna do objetivo pelo subjetivo. Isso pode soar bem, até que percebemos que isso significava para ele a redefinição da verdade em si mesma como subjetiva. E as consequências dessa ideia foram catastróficas.
Sempre que entramos em uma conversa sobre nossa fé com descrentes, sabemos pela experiência que o obstáculo mais comum à fé hoje não é nenhuma dificuldade intelectual honesta, como o problema do mal ou o dogma da trindade, mas a assunção de que a religião não é capaz de possivelmente explicar os fatos e a verdade objetiva em geral; que qualquer tentativa de convencer outra pessoa de que sua fé é verdadeira -- objetivamente verdadeira, verdadeira para todos -- é uma arrogância impensável.
O negócio da religião, de acordo com essa mentalidade, é prática e não teoria; valores, não fatos; algo subjetivo e privado, não objetivo e público. O dogma é um "extra", e mau porque incentiva o dogmatismo. Religião, sucintamente, é equivalente a ética. E desde que a ética cristã é muito similar à ética da maioria das outras grandes religiões, não importa se você é um cristão ou não; o que importa é se você é uma "boa pessoa". (As pessoas que acreditam nisso também acreditam normalmente que todos, exceto Adolf Hitler e Charles Manson são "boas pessoas".)
Kant é largamente responsável por esta via de pensamento. Ele ajudou a sepultar a síntese medieval da fé com a razão. Ele descreveu sua filosofia como "limpar as pretensões da razão em abrir espaço para a fé" -- como se a fé e a razão fossem inimigas e não aliadas. Em Kant, o divórcio de Lutero entre a fé e a razão se completou.
Kant pensava que a religião nunca poderia ser um tópico da razão, evidência ou argumento, ou ainda do conhecimento, mas de sentimentos, motivações e atitudes. Essa assunção influenciou profundamente a mente dos educadores mais religiosos (ex: escritores de catecismos e departamentos de teologia) hoje, que afastaram sua atenção dos simples "esqueletos" da fé, os fatos objetivos narrados na Escritura e sumarizados no Credo dos Apóstolos. Eles divorciaram a fé da razão e a casaram com psicologia popular, porque adotaram a filosofia de Kant. 
"Duas coisas me enchem de assombro," Kant confessou: "o céu estrelado lá em cima e a lei moral abaixo dele." O que assombra um homem preenche seu coração e direciona o seu pensamento. Note que Kant se assombra sobre duas coisas: não Deus, não Cristo, não Criação, Encarnação, Ressurreição e Julgamento, mas "o céu estrelado lá encima e a lei moral aqui dentro". "O céu estrelado lá em cima" é o universo físico como conhecido pela ciência moderna. Kant relega tudo o mais para a subjetividade. A lei moral não é externa, mas interna, não é objetiva, mas subjetiva, não é uma Lei Natural de certos e errados objetivos que vêm de Deus, mas uma lei feita pelo homem, pela qual nós decidimos nos obrigar. (Mas se nos obrigamos a nós mesmos, estamos realmente obrigados?) A moralidade é uma questão de intenção subjetiva somente. Não tem nenhum conteúdo, exceto pela Regra de Ouro (o "imperativo categórico" de Kant).
Se a lei moral veio de Deus e não do homem, Kant argumenta, então o homem não seria livre no sentido de ser autônomo. Como isso é verdade, Kant então procede argumentando que o homem tem que ser autônomo, então a lei moral não vem de Deus, mas do homem. A Igreja argumenta a partir da mesma premissa de que a lei moral vem, de fato, de Deus, então o homem não é autônomo. Ele é livre para escolher obedecer ou não a lei moral, mas não é livre para criar a lei por si mesmo.
Apesar de Kant se considerar um cristão, ele explicitamente negava que poderia conhecer que realmente existe: (1) Deus, (2) livre-arbítrio, e (3) imoralidade. Ele disse que devemos viver como se essas ideias fossem verdadeiras porque se acreditarmos nelas nós iremos tomar a moralidade seriamente, senão não iríamos. Essa é a justificação da fé por razões puramente práticas que são um terrível erro. Kant acreditava em Deus não porque ele é verdade, mas porque ele é útil. Porque não acreditar em Papai Noel então? Se eu fosse Deus, eu iria favorecer um ateu honesto a um teísta desonesto, e Kant é para mim um teísta desonesto, porque há somente uma razão honesta para acreditar em algo: porque é verdade.
Aqueles que tentar vender a fé cristã no sentido kantiano, como um "sistema de valores" ao invés da verdade, têm falhado por gerações. Com tantos outros "sistemas de valores" competindo no mercado, porque alguém preferiria a variação cristã a outras mais simples, com menos bagagem teológica, mais fáceis, com menos demandas morais inconvenientes?
Kant abandonou a batalha, efetivamente, recuando do campo de batalha dos fatos. Ele acreditava no grande mito do século 18, o "Iluminismo" (nome irônico!): que a ciência Newtoniana iria ficar e que o cristianismo, para sobreviver, deveria encontrar um novo lugar na nova mentalidade desenhada pela nova ciência. O único lugar restante era a subjetividade.
Isso significava ignorar ou interpretar como mito as afirmações sobrenaturais e milagrosas da cristandade tradicional. A estratégia de Kant era essencialmente a mesma da de Rudolf Bultmann, o pai da "desmistificação" e o homem que pode ter sido responsável pela perda da fé de mais estudantes nas escolas católicas do que qualquer outro. Muitos professores de teologia seguem suas teorias de criticismo que reduzem as afirmações bíblicas de testemunhos de milagres a meros "mitos", "valores" e "interpretações piedosas".
Bultmann disse isso sobre o suposto conflito entre a fé e a ciência: "O mundo descrito pela ciência está aí para ficar  e irá reivindicar seus direitos contra qualquer teologia, ainda que grandiosa, que se conflite com ele". Ironicamente, a mesma "descrição científica do mundo" da física Newtoniana que Kant e Bultmann aceitavam como absoluta e imutável, hoje em dia é quase universalmente rejeitada pelos próprios cientistas!
A questão básica de Kant era: Como podemos saber a verdade? Cedo na vida nós aceitamos a resposta do racionalismo, de que sabemos a verdade através do intelecto, não dos sentidos, e que o intelecto possui em si "ideias inatas". Então nós lemos o empirista David Hume, que, dizia Kant, "me acordou de meu sonho dogmático". Como outros empiristas, Hume acreditava que nós poderíamos conhecer a verdade somente através dos sentidos e que não havia "ideias inatas". Mas as premissas de Huma o levaram à conclusão do ceticismo, a negação de que nós podemos conhecer realmente a verdade com alguma certeza. Kant via ambos, o "dogmatismo" do racionalismo e o ceticismo do empirismo, como inaceitáveis, e vislumbrou uma terceira via.
Havia tal terceira teoria disponível, desde Aristóteles. Era a filosofia do senso comum, o realismo. De acordo com o realismo, nós podemos conhecer a verdade através de ambos, o intelecto e os sentidos, somente se eles funcionassem apropriadamente e conjuntamente, como as duas lâminas de uma tesoura. Ao invés de retornar ao tradicional realismo, Kant inventou uma totalmente nova teoria do conhecimento, usualmente chamada idealismo. Ele a chamou de sua "revolução copernicana na filosofia". O termo mais simples para ela é subjetivismo. Ela equivale a redefinir a verdade em si como subjetiva, não objetiva.
Todos os filósofos anteriores tinham assumido que a verdade era objetiva. Isso é simplesmente o que o senso comum toma por "verdade": saber o que realmente é, conformando a mente à realidade objetiva. Alguns filósofos, (os racionalistas) pensavam que poderíamos atingir esse objetivo somente através da razão. Os empiristas recentes (como Locke) pensavam que poderíamos fazê-lo através dos sentidos. O último empirista cético Hume pensava que não poderíamos atingi-la totalmente, sem nenhuma incerteza. Kant negou a assunção comum de todas as três filosofias concorrentes, que deveríamos nominalmente alcançá-la, que a verdade significava conformidade à realidade objetiva. A "revolução copernicana" de Kant redefiniu a verdade em si como realidade conforme às ideias. "Até agora foi assumido que todo o nosso conhecimento deve estar conformado aos objetos... maior progresso poderá ser feito se assumirmos a hipótese contrária de que os objetos do pensamento devem ser conformados ao nosso conhecimento."
Kant afirmava que todo o nosso conhecimento é subjetivo. Bem, seria esse conhecimento subjetivo? Se sim, então o conhecimento desse fato também é subjetivo, etc, e estamos reduzidos a um infinito salão de espelhos. A filosofia de Kant é uma perfeita filosofia para o inferno. Talvez a maior parte das pessoas acredite que não há realmente o inferno, que isso existe só na sua cabeça. E talvez seja, talvez isso seja o inferno.

terça-feira, 5 de março de 2013

Os pilares da descrença - Maquiavel, o inventor da nova moralidade


Assim como há os pilares da fé cristã, os santos, assim há os indivíduos que se tornaram os pilares da descrença. Peter Kreeft discute seis pensadores modernos com enormes impactos na vida cotidiana, e com grande ameaça à mente cristã:


  • Maquiavel - inventor da "nova moralidade"
  • Kant - subjetivizador da Verdade
  • Nietzsche - autoproclamado "Anti-Cristo"
  • Freud - fundador da "revolução sexual"
  • Marx - falso Moisés para as massas, e
  • Sartre - apóstolo do absurdo.


Precisamos falar sobre "inimigos" da fá porque a vida de fé é uma guerra real. Assim falam todos os profetas, apóstolos, mártires e Nosso Senhor em pessoa.

Mesmo assim, nós tentamos evitar falar sobre inimigos. Por quê?
Parcialmente por causa do nosso medo de confundir inimigos espirituais com materiais; de odiar o pecador ao invés do pecado; de esquecer que "nossa batalha não é contra a carne e o sangue, mas contra os principados, contra as potências, contra os regradores dessa escuridão presente, contra os espíritos maus que estão nos céus." (Ef 6:12)
Mas, esse medo hoje é mais infundado do que nunca. Nenhuma era tem sido mais suspeita de militarismo, mais aterrorizada com os horrores da guerra física, do que a nossa. E nenhuma época tem sido mais afeita a confundir o pecado com o pecador, não odiando o pecador juntamente com o pecado, mas amando o pecado junto com o pecador. Nós frequentemente usamos "compaixão" como equivalente para o relativismo moral.
Nós também somos amenos. Não gostamos de lutar porque lutar significa sofrimento e sacrifício. Guerra pode não ser exatamente o inferno, mas é muito desconfortável. E, de qualquer forma, nós não estamos certos de que há algo por que valha a pena lutar. Talvez nos falte coragem porque nos falta uma razão para a coragem.
É assim que pensamos como modernos, mas não como católicos. Como católicos nós sabemos que a vida é uma guerra espiritual e que há inimigos espirituais. Uma vez que admitimos isso, o próximo passo segue inevitavelmente. É essencial, na batalha, conhecer seu inimigo. De outra forma, seus espiões passarão despercebidos. Então esta série é devotada a conhecer nossos inimigos espirituais na luta pelo coração moderno. Discutiremos seis pensadores modernos que tiveram um enorme impacto no nosso cotidiano. Eles têm causado enorme dano à mente cristã.
Seus nomes: Maquiavel, o inventor da "nova moralidade"; Kant, o subjetivizador da Verdade; Nietzsche, o auto-proclamado "Anti-Cristo"; Freud, o fundador da "revolução sexual"; Marx, o falso Moisés para as massas; e Sartre, o apóstolo do absurdo.
Nicolau Maquiavel (1496-1527) foi o fundador da moderna filosofia política e social, e raramente na história do pensamento houve uma revolução tão grande. Maquiavel sabia o quão radical ele era. Ele comparou seu trabalho ao de Colombo como o descobridor de um novo mundo, e ao de Moisés como o líder de um novo povo que iria deixar a escravidão das ideias morais em direção a uma nova terra prometida de poder e pragmatismo.
A revolução de Maquiavel pode ser sumarizada em seis pontos.
Para todos os pensadores sociais anteriores, o objetivo da vida política era a virtude. Uma boa sociedade era concebida como um a em que as pessoas eram boas. Não havia "duas medidas" entre a bondade individual e social - até Maquiavel. Com ele, a política se tornou não mais a arte do bom, mas a arte do possível. Sua influência nesse ponto foi enorme. Todos os maiores filósofos políticos (Hobbes, Locke, Rousseau, Mill, Kant, Hegel, Marx, Nietzsche, Dewey) subsequentemente rejeitaram o objetivo da virtude, desde que Maquiavel diminuiu a medida e quase todo mundo começou a saudar a nova bandeira hasteada.
O argumento de Maquiavel era que a moral tradicional era como as estrelas; bela, mas muito distante para produzir luz suficiente para nossa superfície terrestre. Ao invés delas, nós precisamos de lanternas feitas pelos homens; em outras palavras, metas atingíveis. Nós precisamos de nossos referenciais na terra, não nos céus; no que os homens e as sociedades fazem realmente, não no que eles deveriam fazer.
A essência da revolução de Maquiavel era julgar o ideal pelo real, ao invés do real pelo ideal. Um ideal é bom, para ele, somente se for prático; assim, Maquiavel é o pai do pragmatismo. Não somente os "fins justificam os meios" -- qualquer meio que funcione -- mas os meios mesmo justificam o fim, no sentido de que qualquer fim vale a pena desde que existam meios práticos para atingi-lo. Em outras palavras, o novo sumo bem, ou maior bem é o sucesso. (Maquiavel soa não só como o primeiro pragmatista, mas como o primeiro pragmatista americano!)
Maquiavel não só rebaixou os referenciais morais, ele os aboliu. Mais do que um pragmatista, ele era um anti-moralista. A única relevância que ele via na moralidade para o sucesso era permanecer no seu caminho. Ele pensava que era necessário para um príncipe bem sucedido "aprender como não ser bom" (O Príncipe, cap. 15), como quebrar promessas, mentir, blefar e roubar (cap. 18).
Por causa de tais visões vergonhosas, alguns dos contemporâneos de Maquiavel viam em "O Príncipe" um livro literalmente inspirado pelo demônio. Mas os acadêmicos atuais usualmente o veem como resultado da ciência. Eles defendem Maquiavel dizendo que ele não negava a moralidade, mas simplesmente escreveu um livro sobre outro assunto, sobre o que é, ao invés do que deveria ser. Eles até o exaltam por não ter hipocrisia, implicando em que moralismo é igual a hipocrisia.
Essa é a comum, moderna confusão sobre hipocrisia como não praticar o que se prega. No sentido de que todos os homens são hipócritas a menos que parem de pregar. Matthew Arnold definiu hipocrisia com "o tributo que o vício paga para a virtude". Maquiavel foi o primeiro a recusar a pagar mesmo esse tributo. Ele deixou a hipocrisia não por elevar a prática ao nível da pregação, mas em rebaixar a pregação ao nível da prática, conformando o ideal ao real ao invés do real ao ideal.
De fato, ele realmente pregava: "Poppa, don´t preach!" - como na canção de rock recente. Você poderia imaginar Moisés dizendo: "Poppa, don´t preach!" para Deus no Monte Sinai? Ou Maria para o anjo? Ou Cristo no Getsêmani,  ao invés de "Pai, não a minha vontade, mais a sua seja feita"? Se você pode, você está imaginando o inferno, porque nossa esperança do céu depende daquelas pessoas dizendo: "Poppa, do preach!"
Na verdade nós redefinimos "hipocrisia". Hipocrisia não é a falha em praticar o que você prega, mas a falha em acreditar. Hipocrisia é propaganda.
Por essa definição Maquiavel foi quase o inventor da hipocrisia, porque foi quase o inventor da propaganda. Ele foi o primeiro filósofo que esperava converter o mundo inteiro através da propaganda.
Ele via a vida como uma luta espiritual contra a Igreja e sua propaganda. Ele acreditava que toda religião era uma peça de propaganda cuja influência durava entre 1.666 e 3.000 anos. E ele pensou que o cristianismo iria terminar bem antes do mundo acabar, provavelmente em torno do ano 1.666, destruído ou por invasões bárbaras vindas do Leste (que hoje é a Rússia) ou por um amansamento e enfraquecimento do Ocidente Cristão, ou por ambos. Seus aliados eram todos mornos cristãos que amavam mais sua terra natal do que o céu, César mais do que a Cristo, sucesso social mais do que virtude. Para eles endereçou sua propaganda. Explicitar totalmente seus objetivos não seria factível, e confessar seu ateísmo, fatal, então ele foi cuidadoso em evitar heresia explícita. Mas foi dele a destruição da "farsa Católica" e seus meios foram propaganda secular agressiva. (Alguém poderia dizer, talvez de forma impertinente, que ele foi o pai da mídia moderna.)
Ele descobriu que eram necessárias duas ferramentas para comandar o comportamento dos homens e então a história da humanidade: a pena e a espada, propaganda e armas. Então, ambos, mente e corpo poderiam ser dominados, e dominação era o seu objetivo. Ele via toda a vida humada e a história como determinadas por duas forças: virtu (força) e fortuna (sorte). A fórmula simples para o sucesso era a maximização da virtu e a minimização da fortuna. Ele termina "O Príncipe" com esta chocante imagem: "Fortuna é uma mulher, e para submetê-la é necessário bater e coagir." (cap. 25) Em outras palavras, o segredo do sucesso é um tipo de violência.
Para o objetivo do controle, armas são necessárias, assim como propaganda, e Maquiavel é um impostor. Ele acreditava que "você não pode ter boas leis sem boas armas, e onde há boas armas, boas leis inevitavelmente surgem."(cap. 12). Em outras palavras, justiça "vem de um barril de pólvora," para adaptar um frase de Mao Tse-tung. Maquiavel acreditava que "todos os profetas armados foram conquistadores e todos os desarmados se tornaram escravos" (cap. 6). Moisés, portanto, deveria ter usado armas, as quais a Bíblia se esqueceu de contar; Jesus, o supremo profeta desarmado, veio a ser escravo; Ele foi crucificado e não ressuscitou. Mas Sua mensagem conquistou o mundo através da propaganda, por armas intelectuais. Era essa a guerra que Maquiavel estabeleceu para lutar.
O relativismo social também emergiu da filosofia de Maquiavel. Ele reconhecia não haver nenhuma lei acima daquelas das diferentes sociedades e, desde que essas leis e sociedades foram originadas pela força ao invés da moralidade, a consequência é que a moralidade é baseada na imoralidade. O argumento vem dessa forma: a moralidade somente pode vir da sociedade, desde que não há Deus e nenhuma lei natural universal dada por Deus. Mas, toda sociedade foi originada de alguma revolução ou violência. A sociedade romana, por exemplo, a origem do direito romano em si, foi originada do assassinato de Reno por seu irmão Rômulo. Toda a história humana começa com o assassinato de Abel por Caim. Assim, a fundação da lei é a falta de lei. A fundação da moralidade é a imoralidade.
O argumento somente é tão forte como sua primeira premissa, o que -- como todo relativismo social, incluindo aquele que domina a mente dos escritores e leitores de quase todos os livros-textos de sociologia hoje -- é realmente ateísmo implícito.
Maquiavel criticou o cristianismo e as ideias clássicas de caridade por um argumento similar. Ele perguntou: Como você consegue os bens que você doa? Pela competição egoísta. Todos os bens são adquiridos a custa de outros. Se minha fatia do bolo é tão maior, alguém deve estar com muito menos. Então o não-egoísmo depende do egoísmo.
O argumento pressupõe materialismo, pois os bens espirituais não diminuem quando divididos ou dados a alguém, e não privam ninguém quando eu os adquiro. Quanto mais dinheiro eu consigo, menos você tem e quanto mais eu dou, menos eu tenho. Mas, amor, verdade, amizade e sabedoria crescem, ao invés de diminuir, quando compartilhados. O materialista simplesmente não vê isso, ou não se importa.
Maquiavel acreditava que todos nós somos inerentemente egoístas. Para ele não havia tal coisa como uma consciência inata ou um instinto moral. Então, a única maneira de fazer com que os homens agissem moralmente era através da força, de fato força totalitária, para compeli-los a agir contrários à sua natureza. As origens do moderno totalitarianismo também remontam a Maquiavel.
Se um homem é inerentemente egoísta, então somente o medo e o amor podem efetivamente movê-lo. Então Maquiavel escreveu: "É muito melhor ser temido do que amado ... [pois] os homens se preocupam menos em prejudicar alguém que os ama do que aquele que temem. O laço do amor é um que os homens, criaturas fracas que são, rompem quando há vantagem para eles em fazê-lo, mas o medo é fortalecido por uma esperada punição que é sempre efetiva." (cap. 17)
O mais impressionante sobre essa brutal filosofia é que ela ganhou a mente moderna, somente através de diluições ou omissões dos seus aspectos mais sombrios. Os sucessores de Maquiavel suavizaram o seu ataque à moralidade e à religião, mas eles não retornaram à ideia de um Deus pessoal ou objetivo e uma moralidade absoluta como fundamento da sociedade. A diminuição de Maquiavel aparecia como uma ampliação. Ele simplesmente decepou a estória principal da criação da vida; nenhum Deus, somente homem; nenhuma alma, somente corpo; nenhum espírito, somente matéria; nenhum deveria, somente é. Ainda que essa construção aparecesse (através da propaganda) como uma Torre de Babel, esse confinamento aparecia como a liberação dos "confinamentos" da moralidade tradicional, como tirar seu cinto do buraco.
Satã não é um conto de fadas; é um brilhante estrategista e psicólogo e é completamente real. A linha de argumento de Maquiavel é uma das mentiras mais poderosas de Satã em nossos dias. Sempre que somos tentados, ele está usando essa mentira para que o mal pareça bom e desejável; para fazer a escravidão parecer liberdade e "a gloriosa liberdade dos filhos de Deus" aparecer como escravidão. O "Pai da Mentira" adora nos contar não pequenas mentiras, mas a Grande Mentira, colocar a verdade de cabeça para baixo. E ele continuará -- a menos que retiremos a cobertura dos espiões do Inimigo.
Peter Kreeft



quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Marx e as revoluções na linguagem

"Casuística inata nos homens a de mudar as coisas mudando-lhes os nomes! E achar saídas para romper com a tradição sem sair dela, sempre que um interesse direto dá o impulso suficiente para isso" (Karl Marx)

Impossível não perceber que seus discípulos aprenderam muito bem esse conceito, pois o empregam sistematicamente. Vejamos este texto do filósofo Dr. Peter Kreeft, traduzido por mim:
"Como um filósofo, a coisa que me mais me impressiona é a estratégia brilhante do movimento pelo casamento gay. Como Orwell em 1984, percebem que o campo de batalha principal é a linguagem. Se conseguirem redefinir um termo-chave como "casamento", eles vencem. Controle a linguagem e controlará o pensamento; controle o pensamento e controlará a ação; controle a ação e controlará o mundo. Mussolini sabia disso também. Ele tornou ilegal para os italianos dizer "olá" da maneira tradicional. O uso italiano para "como vai você?" é "Come sta lei?". "Lei" é um pronome feminino inclusivo. A ideologia fascista sustentava que isso não era másculo, era fraco, então você deveria dizer "Come sta lui?" a partir de então. "Lui" é o pronome masculino. Então ninguém poderia dizer "olá" na Itália sem se identificar como pró ou antifascista.
Na América, feministas venceram exatamente da mesma maneira. Rotularam a linguagem inclusiva, a linguagem de todos os grandes livros da civilização ocidental escritos em inglês, como exclusiva, pois usavam "he" e "man" para incluir as mulheres; e estabeleceram sua nova artificial invenção ideológica, que insiste, contrária aos fatos históricos, que "he" e "man" excluem as mulheres - rotulando esta nova linguagem de "inclusiva". Surpreendentemente, quase todos seguiram como ovelhas! Então será fácil, eu penso, para eles, redefinir casamento. Diabos, eles já redefiniram "seres humanos" ou "pessoas" de maneira que possam assassinar os menores seres assim que quiserem. Por que sentiriam alguma culpa sendo desonestos se não sentem nenhuma culpa cometendo assassinatos?
Eu penso que você encontrará que há uma esmagadoramente forte conexão entre essas três agendas: casamento gay, feminismo e aborto. E o que todas elas têm em comum é a atitude perante a linguagem: é o que o filme de propaganda mais poderoso e insidioso do mundo chamou de "o triunfo da vontade". No Canadá já é crime, punido com multa ou mesmo prisão, falar publicamente contra a homossexualidade. Ideias politicamente incorretas, como a moralidade Bíblica, são agora definidos como "discurso de ódio".
Uma das coisas que eu temo disso é um feio retrocesso contra os homossexuais. Se a verdade agora é o que queremos, de forma que não há o que possa impedir a sociedade de hoje de redefinir o casamento, então nada poderá impedi-la, no futuro, de redefinir a dignidade pessoal e os direitos para torná-los contra os homossexuais. Os nazistas fizeram exatamente isso. A Igreja é a melhor amiga dos homossexuais, pois diz a eles que são feitos à imagem de Deus e têm uma dignidade e direitos intrínsecos, sendo chamados a ser santos, e porque é a única força social restante que insiste em uma moral absoluta - então quando eles pecam contra si mesmos ela diz NÃO, da mesma maneira que faz com os heterossexuais que pecam contra si mesmos sexualmente, mas quando outros pecam contra eles ela também diz NÃO. Ninguém mais quer dizer NÃO. Ela fala para todos, inclusive homossexuais."